Diástase abdominal na gestação: o que saber
Por Priscila Pschiski, fisioterapeuta pélvica · Atualizado em
- Diástase abdominal é o afastamento dos dois lados do músculo reto do abdômen ao longo da linha alba.
- É comum na gestação: em um estudo norueguês com 300 mães de primeira viagem, 1 em cada 3 já tinha diástase na 21ª semana.
- Respiração, postura e ativação do abdômen profundo e do assoalho pélvico ajudam a estabilizar o abdômen.
- Sempre com liberação do obstetra; a avaliação com fisioterapeuta pélvica é o padrão de cuidado.
Diástase na gravidez é normal?
Sim, um certo afastamento é esperado. O útero cresce e os músculos do abdômen se alongam para dar espaço ao bebê, principalmente a partir do segundo trimestre. O que pede atenção é a diástase que continua grande meses depois do parto, porque ela pode estar ligada a dor lombar, perda de força no abdômen e desconforto no assoalho pélvico.
Com que frequência a diástase aparece?
Um estudo publicado no British Journal of Sports Medicine acompanhou 300 mulheres na primeira gestação e mediu a diástase em quatro momentos:
| Momento | Mulheres com diástase |
|---|---|
| 21ª semana de gestação | 33,1% |
| 6 semanas após o parto | 60,0% |
| 6 meses após o parto | 45,4% |
| 12 meses após o parto | 32,6% |
A maioria melhora com o tempo, mas cerca de um terço ainda tem diástase um ano depois do parto. Por isso vale cuidar do abdômen desde a gestação.
O que é a “barriga pochete”?
É quando a parte de baixo do abdômen fica projetada para frente, mesmo com pouca gordura. Muitas vezes acontece porque a parte de cima do abdômen é recrutada antes do transverso, empurrando a pressão para baixo. Corrigir a ordem de ativação e a respiração muda a forma como a barriga se comporta no esforço.
Como saber se tenho diástase?
Um sinal comum é a barriga formar um “cone” no meio quando você levanta da cama ou faz força. Também é possível sentir um espaço entre os dois lados do abdômen, na altura do umbigo, ao elevar levemente a cabeça deitada. A confirmação e a medida são feitas na avaliação com fisioterapeuta pélvica.
Dá para prevenir a diástase na gestação?
Não existe forma de garantir que a diástase não aconteça, já que parte do afastamento é natural. A fisioterapia pélvica reduz o risco de uma diástase que não se recupera: ensina a respirar e ativar o abdômen profundo, ajusta a postura no dia a dia, evita sobrecarga na linha alba e treina o assoalho pélvico.
Quais exercícios ajudam a estabilizar a diástase?
Exercícios respiratórios com ativação do transverso do abdômen, contração e relaxamento do assoalho pélvico, ajustes de postura para deitar, sentar e levantar, e mobilidade pélvica. Abdominais com flexão do tronco e movimentos que fazem a barriga “estufar” costumam ser adaptados na gestação.
Quando começar os exercícios no pós-parto?
Em geral, a partir de 30 a 40 dias após o parto normal e de 45 a 60 dias após a cesariana, sempre com liberação médica. Exercícios leves de respiração e assoalho pélvico podem ser orientados antes disso pela sua fisioterapeuta.
Onde encontrar fisioterapia pélvica para gestantes em Brasília?
A Pelvic Funcional atende gestantes e mulheres no pós-parto no Centro Clínico Sudoeste, em Brasília (DF), com programa exclusivo para gestantes e mais de 90 planos de saúde aceitos. Para quem mora fora de Brasília, o curso Diástase em Casa leva o mesmo método para a sua casa.





